segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Blog de professor do município do Rio de Janeiro inaugura espaço sobre Jacarepaguá


O professor da Rede Municipal de Ensino, Nelson Moreira da Silva, criou, em 2008, o blog “Fatos e Ângulos”, com o objetivo de usar essa ferramenta em suas aulas de Matemática. O projeto foi se desenvolvendo e hoje o professor apresenta uma infinidade de textos e vídeos que abordam os mais diferentes temas, como: educação política, meio ambiente, músicas, ética e xadrez. A partir desse mês, o blog abre espaço para apresentar as contribuições de pessoas comuns que possuem alguma relação com a Baixada de Jacarepaguá. O primeiro entrevistado é o professor Val Costa, que fala das suas pesquisas e projetos para o ano de 2011. O blog pode ser acessado pelo endereço eletrônico: http://fatoseangulosbloginfo.blogspot.com/2011/02/desenhando-os-mapas-da-cultura-de.html

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

As praias da cidade também têm história


Com um litoral de 197 quilômetros de extensão (27,3 km na Baixada de Jacarepaguá), as praias da cidade estão entre as mais freqüentadas do estado, entre elas, podemos destacar a Praia da Barra e a Praia do Pepê, esta última conhecida internacionalmente pela prática do surf. O litoral atlântico apresenta alternâncias consideráveis: ora alto, quando em contato com as ramificações costeiras dos maciços da Pedra Branca e da Tijuca, ora baixo, trecho pelo qual se estendem as praias. Uma das áreas litorâneas menos populosa, limitada à nordeste pela Serra do Mar, ao norte pela Serra de Madureira, a sudeste pelo Maciço da Pedra Branca e ao sul pela Restinga da Marambaia, é a Baía de Sepetiba.

Essa área também foi palco da segunda invasão francesa ao Rio de Janeiro. Após ser rechaçado da Baía de Guanabara pelos canhões da Fortaleza de Santa Cruz, em 11 de setembro de 1710, o corsário francês Jean François Duclerc desembarca em Guaratiba com 1200 homens. Os franceses não encontraram resistência nessa parte da cidade e atravessaram toda a Baixada de Jacarepaguá, saqueando e destruindo vários engenhos, inclusive o do Camorim, chegando ao centro da cidade pela atual Serra Grajaú-Jacarepaguá. No Largo do Carmo, atual Praça XV de Novembro, travaram uma sangrenta batalha com os portugueses, que terminou com a rendição de Duclerc e seus 600 homens restantes, no dia 21 de setembro do mesmo ano.

A mesma praia onde os franceses desembarcaram, seria sinalizada, em 1941, como um dos pontos mais vulneráveis do então Distrito Federal em um documento de uso exclusivo do exército dos Estados Unidos. Esse documento deve ser entendido a partir das pretensões estadunidenses para o Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, materializadas em dois planos: o Pote de Ouro e o Lilás. O Plano Pote de Ouro, preparado em maio de 1940, previa o envio imediato de 10.000 homens (Exército e Fuzileiros Navais) por via aérea ao Nordeste do Brasil, para apoiar as forças do governo brasileiro, caso ocorresse uma invasão nazista. O Plano Lilás partia do princípio de que as bases do Nordeste eram vitais para os Estados Unidos. Em fevereiro de 1942, o Plano Suplementar Lilás-Setor Rio foi aprovado. Lidava com um possível golpe pró-germânico e com uma eventual retirada do governo deposto de Vargas para a área de Natal-Recife, onde o presidente seria protegido e iniciariam as operações ofensivas contra as Forças Armadas Brasileiras, ajudadas pelas potências do Eixo, em um avanço em direção à cidade do Rio de Janeiro, então Capital Federal.

Durante quase três anos da Segunda Guerra Mundial o presidente Getúlio Vargas se manteve neutro. Essa neutralidade acabou em agosto de 1942, quando ocorreu uma sucessão de ataques de submarinos alemães a navios brasileiros no litoral do Nordeste, obrigando Vargas a declarar o Brasil, em 31 de agosto de 1942, em estado de beligerância contra o Eixo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Jornal Abaixo Assinado promove a IV Semana Alternativa de Jacarepaguá

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O JAAJ dá mais um passo para democratizar a informação ao promover um encontro entre pesquisadores, lideranças comunitárias e moradores da Baixada de Jacarepaguá. O evento teve como objetivo principal levar temas antes restritos aos bancos universitários ou a movimentos sociais ao conhecimento do grande público. A IV Semana Alternativa de Jacarepaguá aconteceu no dia 18 de setembro, no auditório da Universidade Estácio de Sá – Campus R9 e contou com duas mesas redondas, apresentações musicais e uma exposição de fotos e gravuras.

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A primeira palestra, mediada pelo professor Val Costa, foi sobre as “Questões Ambientais na Baixada de Jacarepaguá”. O primeiro palestrante, o biólogo Mario Moscatelli, nos alertou especialmente para o problema da poluição nas lagoas, praias e rios da Baixada de Jacarepaguá, mostrando também que este não é só um problema da nossa região, mas de toda a cidade do Rio de Janeiro. O segundo palestrante, o geógrafo Alexandre Pedroso, gestor do Parque Estadual da Pedra Branca, abordou a questão da degradação ambiental nessa Unidade de Conservação e apresentou as realizações da sua gestão. Respondeu ainda perguntas da platéia sobre a remoção da população do entorno do parque.

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A segunda mesa abordou o tema “A História das lutas fundiárias na Baixada de Jacarepaguá” e teve como mediador o Coordenador Editorial do JAAJ, Almir Paulo. A primeira palestrante foi a historiadora e presidente do Instituto Histórico de Jacarepaguá, Heluana Macedo. Heluana apresentou a sua pesquisa sobre o testamento de D. Vitória de Sá e a divisão de terras no antigo Engenho do Camorim. Posteriormente falou Fladmir Guimarães, líder do Movimento União Popular – MUP. Fladmir expôs as conquistas e dificuldades dos movimentos sociais na região e os diversos interesses que existem em uma das áreas mais valorizadas da cidade.

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O público também pôde conferir duas apresentações musicais, uma dos alunos do Núcleo de Artes da Escola Municipal Silveira Sampaio, e outra do cantor e compositor Paulinho Thomaz.

Durante todo o evento, os presentes puderam apreciar a exposição de fotos do livro “Sertão Carioca”, organizada pelo Instituto Histórico de Jacarepaguá.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

IV Semana Alternativa de Jacarepaguá


Na certeza de que a construção de uma sociedade mais justa e democrática passa pela possibilidade de discutir os seus problemas com os diferentes agentes que a constituem, o Jornal Abaixo-Assinado de Jacarepaguá e os pesquisadores Luciana Araujo e Val Costa realizam a IV Semana Alternativa de Jacarepaguá.

O evento que ocorrerá em comemoração ao aniversário de Jacarepaguá e será realizado dia 18 de setembro de 2010, no Auditório do Campus R9 da Universidade Estácio de Sá, a partir das 14 horas.

Neste ano, teremos duas mesas que discutirão a questão ambiental e a luta por terras na região. Haverá também exposições sobre a história de Jacarepaguá.

Programação:
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14h Abertura do Evento
Apresentação musical dos alunos do Núcleo de Artes da Escola Municipal Silveira Sampaio, regência da professora Thelma Taets - músicas sobre Jacarepaguá tocadas com flauta doce
14:30 1º mesa: QUESTÕES AMBIENTAIS NA BAIXADA DE JACAREPAGUÁ
Palestrantes: Mario Moscateli (biólogo) e Alexandre Pedroso (chefe do Parque Estadual da Pedra Branca)
Mediador: Val Costa
16:00 Apresentação Musical
- Paulinho Thomaz (cantor e compositor de Jacarepaguá)
- Jorge Gomes e Alessandro Pereira (cantores de rap - alunos da escola Municipal Eunice Weaver)
16:30 2º mesa A HISTÓRIA DAS LUTAS FUNDIÁRIAS NA BAIXADA DE JACAREPAGUÁ
Palestrantes: Fladmir Fonseca Guimarães (liderança comunitária do MUP) e Heluana Macedo (historiadora)
Mediador: Almir Paulo
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Exposições
Acervo do Núcleo de Artes do Parque Estadual da Pedra Branca
Acervo Fotográfico do Instituto Histórico de Jacarepaguá
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ENTRADA FRANCA

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Entrevista

No dia 19 de junho, os autores Luciana Araujo e Val Costa, foram entrevistados pelos holandeses, Elke Uitentuis e Wouter Osterholt, que estão no Brasil fazendo um projeto sobre o empreendimento conhecido como Athaydeville, na Barra da Tijuca.
Os pesquisadores entraram em contato com os autores a partir de um artigo escrito pela geógrafa Luciana, intitulado “Barra da Tijuca: o concebido e o realizado”, publicado na revista eletrônica Geopaisagem (http://www.feth.ggf.br/Revista6.htm)
Elke e Woulter, com a ajuda da tradutora Maíra das Neves, quiseram saber a respeito da pesquisa que os autores desenvolvem sobre a região da Baixada de Jacarepaguá. Em um bate-papo de quase duas horas, foram abordados vários aspectos, tais como: a expansão urbana da região, o Plano Piloto para a Barra da Tijuca e Jacarepaguá, a degradação ambiental e as perspectivas sobre o futuro da região.
Além de Luciana e Val, outros estudiosos da Barra da Tijuca também foram entrevistados: os arquitetos Gerônimo Leitão, Vera Rezende e Augusto Ivan de Freiras Pinheiro, o presidente da AciBarra, Ney Robinson Suassuna e Heraldo da Silva, engenheiro e membro da Associação de Compradores das torres, dentre outros.
Os trabalho dos holandeses será concluído em até 3 anos, quando lançarão um site, com a reprodução virtual da Torre Abraham Lincoln, onde será possível acessar todas as entrevistas realizadas por eles. O site estará em português. Segundo os artistas, “o site será uma torre virtual cheia de histórias de diferentes especialistas para refletir sobre o passado e o presente desta área específica e seu ‘modo de vida”.

Mais informações sobre a pesquisa dos artistas, acessem o site deles: http://wouterelke.nl/rio


Na foto: Valdeir, Luciana, Elke e Maíra

domingo, 4 de julho de 2010

A Fazenda da Taquara


A Fazenda da Taquara, popularmente conhecida como Fazenda da Baronesa, localizada na Estrada Rodrigues Caldas, reúne um importante acervo arquitetônico que remonta ao período colonial da nossa história. A Capela de Nossa Senhora dos Remédios e Exaltação da Santa Cruz, construída em 1738, e a casa sede da fazenda, edificada em meados do século XVIII, são dois importantes bens históricos edificados nessas terras.

Essa propriedade, então chamada Engenho de Dentro, foi passada por Antônio Teles de Menezes para o seu filho, Francisco Teles Barreto de Menezes, no ano de 1757. Após a morte de Francisco Teles Barreto de Menezes, em 1806, a propriedade ficou para sua filha mais velha, Ana Inocência Teles de Menezes, que construiu um canal de captação de água do Rio Grande para mover as moendas do engenho. Dona Inocência faleceu em 1836, deixando o engenho para sua sobrinha Ana Maria Teles Barreto de Menezes e para Francisco Pinto da Fonseca, que, em 1837, casaram-se e passaram a residir na casa sede da Fazenda da Taquara. Francisco Pinto da Fonseca e Dona Ana Maria tiveram dois filhos: Maria Rosa e Francisco Pinto da Fonseca Telles, que ficou com as terras do engenho após a morte do pai.

Francisco Pinto da Fonseca Telles foi tenente da 7ª Companhia do Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional. Por seus serviços prestados na Guerra do Paraguai, foi nomeado Comendador da Ordem da Rosa. Também foi um grande benfeitor de Jacarepaguá. Doou terrenos para o encanamento dos rios Fortaleza, Ciganos e Olho d`Água, realizou arruamentos e cooperou para a implantação das linhas de bondes na região. Em 21 de outubro de 1882, o Imperador D. Pedro II lhe outorgou o título de Barão da Taquara. Em 3 de maio de 1881, na Capela da Santa Cruz, o Monsenhor Vigário Antônio Marques de Oliveira celebrou o casamento do Barão da Taquara com Leopoldina Francisca de Andrade.

D. Pedro II se hospedou durante dois meses, de novembro a dezembro de 1843, na Fazenda da Taquara. O objetivo era cuidar da saúde da princesa Dona Januária, já que a região, conhecida nessa época como Sertão Carioca, era considerada um local propício para tratamentos de doenças em decorrência do seu ar puro.

Além do tombamento da casa e da capela pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN – pelo Decreto-Lei no. 25, de 30 de novembro de 1937, três iniciativas do poder público visam garantir a integridade desse patrimônio paisagístico e cultural do município. Uma é o Projeto de Lei Nº 1907/2004, que tomba a área que restou da Fazenda da Taquara, com 83.175 m2. A segunda é o Decreto Municipal 21.209/01 que cria a Área de Proteção Ambiental da Fazenda Baronesa. Por fim, a terceira é o Projeto de Lei Nº 1236/2008, que “Tomba a área da Fazenda da Taquara, e dá outras providências”.

A Fazenda da Taquara foi reconhecida, pelo Projeto de Lei Nº 464/2009, como uma das sete maravilhas do bairro de Jacarepaguá, sendo classificada na quarta colocação. Recentemente, a prefeitura da cidade manifestou a vontade de transformar a fazenda em um bosque.

Apesar de ter sido desmembrada em várias glebas nos anos seguintes, a sede da Fazenda e a capela da Santa Cruz ainda pertencem aos descendentes do Barão da Taquara, que preservam essas construções de forma exemplar.

domingo, 4 de abril de 2010

O abandono do Patrimônio Histórico da Baixada de Jacarepaguá


Patrimônio Histórico pode ser definido como um bem material, natural ou imóvel concebido por sociedades do passado e que possuiu importância artística, cultural, religiosa, documental ou estética. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional –IPHAN- é o responsável pela gestão, proteção e preservação do patrimônio histórico e artístico brasileiro. Além desse órgão, o estado do Rio de Janeiro conta também com o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – Inepac- que se dedica à preservação do patrimônio cultural estadual, elaborando estudos, fiscalizando obras, emitindo pareceres técnicos, pesquisando, catalogando e efetuando tombamentos.

Detentora de um dos maiores acervos históricos da cidade, a Baixada de Jacarepaguá possui vários vestígios que remontam ao período do Brasil colonial e que se encontram abandonados pelo poder público. Dentre os quais, destaca-se o Marco 5 (cinco) das Sesmarias da Tijuca, localizado na Estrada do Joá nº 690 e tombado pelo Inepac em 3 de setembro de 1965, através do processo 03/300.396/65.

Em 1565, Estácio de Sá, doou à cidade uma sesmaria de aproximadamente 130 Km2. Essa vasta extensão de terras englobava Barra da Tijuca, São Conrado, Gávea, Leblon, Copacabana, Flamengo, Catete, Gamboa e Saúde, indo até a nascente do Rio Comprido. Em 1753, a Câmara Municipal marcou o perímetro da sesmaria com 21 pedras lavradas, todas com a inscrição CMA, de Câmara. Ao longo dos séculos, esses marcos foram gradativamente sendo destruídos ou aterrados. O único que restou foi o marco localizado em um terreno na Estrada do Joá. Sem qualquer tipo de identificação, esse importante vestígio da história da cidade necessita muito mais que um tombamento, que é um ato de cunho jurídico, mas principalmente de ações efetivas para preservá-lo.

Outro bem tombado, desta vez pelo IPHAN, que desapareceu da nossa paisagem, foi o prédio construído, em 1885, pelo médico-sanitarista Cândido Benício da Silva Moreira. Localizado na Rua Cândido Benício número 2.610, essa residência serviu de moradia para o popular médio até o ano de sua morte, em 1897. Em 8 de março de 1954, foi inaugurado no mesmo prédio o Educandário Nossa Senhora da Vitória, pelo professor João Fernandes da Cruz. Após a morte do seu fundador, em 2000, o terreno começou a ser ocupado por um loteamento e o prédio foi gradativamente destruído.

Pode-se citar ainda o casarão da Fazenda Mato Alto, localizado no bairro da Praça Seca. Essas terras foram vendidas pelo neto do Barão da Taquara, Zezé, no final da década de 1930, ao jornalista do extinto periódico “A Noite”, Geraldo Rocha Este. Em dezembro de 1943, foram compradas pelo Instituto de Pensões e Assistência aos Servidores do Estado – IPASE – que construiu um conjunto habitacional na propriedade no ano de 1956. Ao adquiri-lo, o Instituto cedeu o casarão para o Sr. José Floriano de Souza Portas, que foi o primeiro administrador dessas terras na era IPASE, atuando como guarda florestal da fazenda. Hoje, esse importante vestígio histórico necessita, além de um tombamento urgente dos órgãos competentes, reformas que possam mantê-lo de pé.

A preservação e a conservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental é dever de toda a sociedade. Conscientizar as atuais e futuras gerações da importância desses vestígios do passado possibilita formar uma identidade local, fundamental para construir uma cidadania participativa.